segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Uma carta para o lado de lá




Caio querido, escrevo para te contar que desde que escrevi o nosso livro, aquele, que combinamos em 83, só me aconteceram coisas boas. Reli nossas cartas, chorei potes, respirei fundo, botei uma rosa na frente do seu retrato e mãos à obra. Entrevistei amigos, inimigos, editores, escritores e todos contaram histórias ótimas de você. Emoções fortes: estive na casa do Menino Deus, e sua irmã Claudia me mostrou tanta coisa que dava para fazer três livros! Amei a aquarela que você pintou na Praia do Rosa pouco antes de partir... já faz 15 anos! Mas quero que você saiba que para teus livros, o tempo não passou. A moçada te lê com devoção. E quando alguém descobre que fui tua amiga, nossa, é umas enxurrada de perguntas, carinhos, uma delícia, como diria o Bivar.
Na noite de autógrafos do Rio, conheci o Candé Salles, lembra dele? Aquele ator de olhos verdes da peça À Beira do Mar Aberto, que ele encenou em 95, com a Natália Lage. Imagine só, hoje ele é diretor de cinema da Conspiração Filmes e estamos fazendo um documentário sobre você, baseado livremente no meu livro. Bem livremente mesmo, pois tudo que o Candé e eu fazemos é superlivremente, do jeito que você gosta. Temos até imagens de você em branco e preto vivendo em Londres, 1974, pode? Com tudo isso, você continua vivo no nosso coração. O Cande é um Caio F. do século 21. Acho que o filme fica pronto no ano que vem! Te aviso! Beijos, da sempre sua Paula Deep.
Paula Dip é jornalista, autora da biografia Para Sempre Teu , Caio F. e prepara para 2012,além de um documentário, volume que reúne cartas trocadas pelo escritor com Hilda Hist. 

Quando Elis se foi


"Maninha, precisava ser agora?
Eis, quando eu soube, assim de imediato, não acreditei. Esse vício de eternidade que a gente tem. E logo você, bicho? Tão agitadinha, tão atrevidinha e cheia de vida. Fui ao banheiro lavar o rosto, molhar os pulsos e olhar bem a minha cara cansada de 33 anos. Quando saí e espiei em volta tudo continuava lá. Feito nada tivesse acontecido Lembrei duma história da mitologia grega. Contam que quando morreu Pan, o deus da música, alguns pescadores ouviram uma voz misteriosa gritar numa praia deserta: ‘O grande deus Pan morreu!” E nunca mais se ouviu falar dele. Hélice – como te chamava a Rita, acho que por causa daquela sua mania antiga de girar os braços enquanto cantava, em tempos de Arrastão – eu não sei o que estou sentindo. Depois do trabalho, saí a procurar pelas ruas do centro da cidade um sinal qualquer que confirmasse ou desmentisse tua partida. Não encontrei nada. As lojas não tocavam seus discos. Ninguém caminhava devagar. Não havia nenhuma melancolia específica no céu, além do cinza habitual. Só eu assobiava baixinho “Acender as velas já é profissão, quando não tem samba, tem desilusão”. (Vezenquando, só de sacanagem, você dizia ‘Quando não sou eu, é Nara Leão’, e dava aquela risada gostosa.) Então peguei um táxi e vim embora. Pedi para o motorista ligar o rádio, mas tocava Núbia Lafaiete. Você acharia engraçado. Pedi para ele parar antes de casa, comprei duas garrafas de vinho. Estou no meio da segunda. Pimentinha, que difícil que tá. Você tem que amar quem você ama agora, JÁ, você tem que começar a fazer tudo o que você quer porque a bruxa tá do lado esperando. Elis, eu também vou morrer nem sei quando. Antes eu queria tanto ser feliz. Embora nem saiba como é isso. Acendo uma vela branca procê ir embora numa boa. Abro as janelas e ponho bem alto você cantando ‘Primeiro Jornal’, porque é assim que quero te guardar, juntando tua voz matinal aos restos dos sons noturnos que ainda boiam na casa. Não tenho medo da morte. Tenho medo da vida. Baixinha, foi tão de repente... Mas ainda ontem, todo domingo de manhã eu ia ao cinema Castelo assistir você cantando no programa do Maurício Sobrinho, da Rádio Gaúcha. Você vinha com aqueles vestidos repolhudos cantar ‘Banho de lua’ e aquelas versões tipo Fred Jorge (Vixe, como tô ficando veio, guria!). No fim todo mundo aplaudia de pé, dançava e cantava junto. Depois, feito a Janis Joplin fez com Port Arthur, você saiu de Porto Alegre. Foi ser estrela na vida. Falavam mal, então como falavam: porque isso, porque aquilo, porque você chiava como carioca, que era metida que nem parecia ter saído dali do Partenon, que parecia que tinha Deus na barriga (descobri depois que você tinha mesmo, não na barriga, mas na voz). Nunca mais te vi ao vivo, só no finzinho do ano passado, no Anhembi. De repente você disse que queria falar com Deus. Eu me arrepiei. Parecido com quando você cantava ‘Atrás da porta’. Ou quando, naquele inverno comprido eu atravessava noites bebendo conhaque ouvindo ‘As aparências enganam’. Uma vez a Paula Dip bateu na porta enquanto você cantava e, mal abri, ela caiu no choro, porque tinha vindo contar-me coisas sobre esses enganos, essas aparências. Maninha, precisava ser agora? Em pleno verão, o sol quase em Aquário. Sei que teu coração não aguentava mais tanta barra. Sacanagem... E juro que agora eu ouvi você rindo assim: quá-quá-rá-quá-quá. Tô sentindo um oco, Hélice. Tão ruim. O dia não conseguiu chover: eu queria agora chorar todo o choro que o dia não chorou por ti. Não consigo. Eu tenho a impressão de que poderia reconstituir, dias após dia, desde uma daquelas manhãs de domingo no Cine Castelo (que coisa mágica, eu tinha 12 anos, você 15) até estas duas da madrugada de hoje? Consigo não, Che. A gente, que é gaúcho, se entende. O tempo existe, Pimentinha, e passa, leva no arrastão as coisas e as pessoas que não morrem: ficam encantadas. Y solo resta el silencio, un ondulado silencio... Nós te amávamos tanto, tanto. Guria. Até."
Caio Fernando Abreu


(Texto escrito por Caio quando Elis se foi, em janeiro de 1982.)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Caio Fernando Abreu: mais vivo do que nunca




Já se passaram 15 anos desde que o jornalista e escritor gaúcho Caio Fernando Abreu faleceu em função da Aids, em 25 de fevereiro de 1996, mas a sua obra permanece muito viva, inclusive entre pessoas que estão justamente na faixa dos 15 anos. Para lembrar a vida e o trabalho dele, foram lançadas biografias, um centro cultural foi montado em sua cidade natal (Santiago), um grupo de admiradores busca outro espaço em Porto Alegre para isso e, atualmente, dois documentários estão sendo produzidos. Nas universidades, Caio é tema de pesquisas entre estudantes de mestrado e doutorado. E suas lembranças, assim como ele viveu, também estão em movimento. Em novembro, seu acervo foi transferido da Ufrgs para a Pucrs.  
A professora do Instituto de Letras da Ufrgs Marcia Ivana Lima e Silva cuidou do acervo de Caio entre 2005 e novembro de 2010, quando houve a mudança para um espaço mais adequado de conservação a pedido da família do escritor. “É um acervo de porte médio, com correspondências, originais de contos e textos para teatro. Na organização, encontramos 117 poemas, a maioria inéditos”, diz Ivana.
Ela explica que, antes de falecer, Caio fez um testamento dividindo seus escritos em três partes distribuídas aos amigos Luciano Alabarse, Marcos Breda e, a parcela mais pessoal, como diários, a familiares.
Alabarse diz que decidiu entregar tudo à universidade para que mais pessoas tenham acesso. “É um material muito rico e emocionante para qualquer fã do Caio. Mas eu não tinha a infraestrutura pra cuidar bem dele. Foi um gesto de preservação, para que muitos pudessem usufruir e desfrutar dessa obra e que tudo fosse devidamente catalogado, registrado”, explica. Ele diz que conheceu Caio “da vida toda” e que eles desenvolveram uma intensa relação de amizade e confiança. “Éramos jovens que sonhavam em produzir arte em Porto Alegre. Caio, principalmente na área da literatura. Eu, desde o início, teatro. Sempre tivemos um amor fraterno, um respeito mútuo, uma amizade que atravessou todas as distâncias, as dificuldades, os anos. Quanto mais o tempo passava, mais a gente ficava próximo. Na vida e na arte”, lembra.

Declarações

“(Ele tinha) o talento para escrever com uma sinceridade que chegava a doer. A argúcia para retratar um tempo de procura em busca da felicidade, fosse qual fosse o tempo, o risco, a improbabilidade. Caio ajudou muita gente a ter identidade e coragem em busca de seus sonhos. Sua palavra era mágica e profética. Todas as dores de amores cabiam na sua escrita, como poucos souberam retratar um tempo e uma busca geracional.”
Luciano Alabarse, amigo e diretor de teatro
“É impressionante o quanto os jovens gostam do Caio. É interessante porque o momento é muito diferente em relação à política e às drogas. Eles (os jovens de hoje) não viveram a repressão e o tempo em que as drogas eram usadas para a autodescoberta, mas se identificam com ele pelo fato do Caio falar com qualquer sujeito, independente de idade, opção política e sexual, parece que ele está falando contigo.”
Marcia Ivana Lima e Silva, professora de Letras da Ufrgs
“Focamos na obra dele, na literatura, e não na vida pessoal, na Aids. Caio ficou meio marcado como ícone gay, o que ele não gostaria. Ele não gostava de gueto.”
Cacá Nazario, codiretor do documentário Sobre sete ondas verdes espumantes

Homenagens e memória

Alabarse homenageou o amigo diversas vezes através desse gosto em comum, a arte. “Fiz muitos trabalhos com base na obra dele: Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, Morangos mofados - que montei três vezes. A adaptação teatral que ele fez para o romance da Lya Luft, Reunião de família, além de incontáveis leituras dramáticas de contos e peças, como Zona contaminada, que teve mais de uma versão”, diz.
Ele acredita que Caio é muito mais valorizado hoje, tanto pelo público, formado em grande parte por jovens, quanto pela crítica, que com o distanciamento soube valorizar o trabalho. O escritor chegou a demonstrar mágoa com os julgamentos mais pesados. “Muitas vezes vi o Caio angustiado com críticas sobre seus livros. Críticas apressadas, superficiais. Comentários que o magoaram bastante. Mas nunca desistiu, nunca ficou paralisado com uma crítica negativa.”, relata Alabarse.
O documentário Sobre sete ondas verdes espumantes, de Bruno Polidoro e Cacá Nazario, está em fase de montagem. Para falar sobre a obra do escritor, mais do que sobre sua vida pessoal, eles percorreram os lugares por onde ele passou para conversar com pessoas com as quais se relacionou de forma pessoal ou profissional: França, Inglaterra, Holanda, Porto Alegre, Santiago, Rio de Janeiro e São Paulo. “Não queríamos um documentário tradicional, linear, contando a vida dele. O próprio título já indica isso. As pessoas leem trechos da obra dele, que é o foco, não são apenas entrevistas. É mais imagem e trilha e menos depoimento”, explica Nazario, que define o trabalho como um road movie poético.
A montadora Tatiana Nequete conta que foram ouvidas mais de quinze pessoas e que algumas se emocionaram bastante. “Elas começavam a ler um trecho e paravam no meio porque lembravam de alguma coisa”, relata. Entre os depoentes, estão Maria Adelaide Amaral, Luciano Alabarse, Greice Gianoukas e Adriana Calcanhotto, que fez uma capela de uma música escrita para Caio e que nunca foi gravada. 

“Suas cartas eram obras de arte”

A amiga Paula Dip, que vive em São Paulo, lançou um livro em 2009 (Para sempre teu, Caio F, Editora Record) para manter viva a memória do escritor e está fazendo um documentário baseado nele com a direção de Candé Salles. Além disso, teve acesso recentemente a cartas que Caio trocou com a escritora Hilda Hilst e pensa em escrever sobre o relacionamento literário dos dois. “Ela o influenciou muito, foram muito amigos”, comenta. 

Viver - Você afirma que a obra de Caio é muito lida pelos jovens de hoje. Você diria que ela é mais valorizada do que quando ele estava vivo?
Paula Dip - Com certeza. Caio morreu jovem, aos 47 anos de idade, no auge de uma carreira que começava a se internacionalizar. Já tinha livros traduzidos em vários idiomas, ganhava prêmios, mas não era reconhecido nem pelo grande público e nem pela crítica como um autor emblemático do final do século XX. Hoje ele é estudado nas universidades, tema de teses sobre os anos 1980, um ícone da literatura daqueles tempos pré-aids, de sex, drugs & rock’n’roll.

Viver - Você diz que Caio gostaria de ter suas cartas publicadas. Que elementos lhe levaram a acreditar nisso? Geralmente, uma correspondência é algo íntimo. Seria uma vaidade dele?
Paula - Não era vaidade, ao contrário, era uma atitude muito generosa dele. Caio se expressava muito melhor pela escrita do que qualquer outra maneira e suas cartas eram obras de arte. Concordo que a correspondência seja algo íntimo, mas também é um gênero literário. Logo que Caio e eu nos conhecemos, combinamos que iríamos publicar nossa história e isso inclui necessariamente as cartas. Ele costumava dizer que elas eram uma herança que deixava para os amigos, ou seja, para a gente, depois da morte dele, poder publicar um livro, virar escritor como ele.

Viver - O que o Caio falava (ou demonstrava) em relação à vida dele no Rio Grande do Sul?
Paula - Caio saiu bem cedo de casa, com 18 anos, para morar em São Paulo. Mas volta e meia estava em Porto Alegre, que ele chamava de Carroça. Não gostava da cidade, achava muito provinciana, conservadora. Mas também reclamava de São Paulo, do Rio, de Londres, de Estocolmo e até de Paris, de todas as cidades onde morou. Era meio cigano, não gostava de rotina, quando ficava muito tempo em um lugar começava a se aborrecer e queria ir embora. A única cidade que se tornou mítica em sua vida foi Santiago do Boqueirão, onde ele nasceu.

Viver - Como era a relação dele com a família?
Paula - Ele foi muito ligado à família, escreveu muitas cartas aos pais e irmãos sempre que esteve fora de casa, e voltou a morar com os pais já velhos, quando precisou de um porto seguro para tratar de sua doença. Era uma família muito unida e afetuosa que foi muito importante na formação de Caio como pessoa e como autor.

Novos leitores novos

Muitos leitores de Caio Fernando Abreu são bem jovens, não tiveram nenhum tipo de contato, mesmo que a distância, com o escritor em vida. É o caso da revisora de textos Mariane Farias de Oliveira, 19 anos, que começou a lê-lo aos 13 anos. Ela descobriu Caio quando fazia uma pesquisa sobre escritores amigos e relacionados à escritora Hilda Hist. Seu livro favorito é o Triângulo das águas.
“São, para mim, seus textos mais complexos, pelo estilo e pelo tema. O próprio Caio afirmou que foi seu livro mais influenciado pela astrologia, por seu lado mais místico, ao qual ele dava muita atenção. Também, é um dos mais passionais; mistifica todos os temas que sempre influenciaram a obra de Caio - o amor unilateral, o amor platônico, o amor erótico, a paixão autodestrutiva, a solidão irremediável -, muito diferente de seu livro mais conhecido e mais maduro que é mais ou menos na mesma época, Morangos mofados”, avalia.
Mariane, que também leu as peças de teatro, acredita que a obra se mantém atual não apenas porque os temas são universais: amor, morte, solidão. “Eles são abordados de forma única, por isso são sempre bem aceitos. Além disso, Caio tem um estilo fragmentado, que é um dos traços mais característicos da literatura contemporânea”, opina.
Brigida Sofia
Fonte:http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=55673&fonte=capa

Sem caio, rosas.


As homenagens são tantas, e fico aqui em branco, sentada, pensando exatamente em como começar. Existe isso de não haver conhecimento algum, nenhum toque ou olhar, nenhum autógrafo em primeira página, e ainda assim, sentir por inteiro o que em anos passados sentiu? Acredito que sim: pela memória eternizada em livros e escritos, vídeos e fotografias. No patamar de sílabas e emoções, experiência e palco da vida, Caio foi rei. Em externar sentimentos como quem desata todos os nós internos: da delicadeza que ocasionalmente acometia as palavras de Caio, do peito inserido por entre vírgulas e predicados, da força brutal de seus escritos nesse cotidiano já tão defasado de banalidades. Há uma quinzena de anos, Caio se ia. Num piscar de olhos, se foi. Eu, talvez, com meus três anos, pedisse a chupeta que esquecia em casa quase sempre, já no carro. Ou eu criança precoce, treinando a fala e correndo com as perninhas curtas e grossas pelo mundo à fora que nem sabia ser tão grande, mas que é enorme. Ainda assim, Porto Alegre, um ovo de cidade. Quase ervilha. Cidade grande com ar interiorano. Na mesma cidade, no idêntico último estado país, gaúchos.
Três anos atrás, a descoberta dessa literatura que nos engole pra dentro, de Caio. Vício imediato. Paixão pelo mistério de em outras épocas, anos antes, alguém sentir o mesmo e colocar para fora da forma mais angelical que encontrou: sublime. Do jeito único de se reencontrar, que era escrever, e encontrar mais uma multidão de admiradores que são sensíveis e nas linhas captam a magia de apanhar todos os pedaços e seguir na vida, inteiriços do feitiço do mago Caio. Tenho como sorte poder visitar o Menino Deus, e sentir no balanço de cada uma dessas árvores que assistem, um rastro da sedução lustrosa que pelo caminho, o rei eterno da introspecção deixou. Nas ruas do Centro, onde habito e transito diurnamente, em cada esquina, um resquício do que pode ele ter contemplado. Uma visão que pode ter inspirado o glorificado monarca da minha (e de tantas) prateleiras, soberano. Amigo íntimo a que não viemos, a maioria, conhecer. Sem apertos de mão, sem nem mesmo a ultrajante cabeça pensante em seus debates filosóficos, suas entrevistas polêmicas, para observar como agora anda esse mundo que vivemos. Igual: o conselheiro a que tantos nos reconhecemos, um ícone.
Hoje, em homenagem a este que tanto admiro, e nem mesmo posso contatar (telepatia, talvez? Profundos pensamentos, para que cheguem talvez ao céu ou ao paraíso, onde com certeza se encontra Caio) tentarei, como em seu aniversário, um dia de paz interna. De chá no meio da tarde, jazz e blues ao pé do ouvido. Cometer uma loucura, pequena que seja, para sentir a vivacidade no sangue. Nomear objetos, pegar a bicicleta e sumir por aí. Entrar dentro de cada um desses personagens que por nós passam, e a sensibilidade despercebemos; o fino traço do rosto, a exatidão dos gestos. Desvendar pessoas. Declarar paixões. E rosas. Como em seu aniversário, uma visita com direito às mais vivas e robustas rosas que encontrar no caminho. Bem cultivadas, duradouras, para colocar ao lado da foto em preto e branco. Tudo pela genialidade desse Caio que nos atinge em cheio, e quase nos pega no colo, em cada reflexão perspicaz. Inspira e traduz almas e afeições. Tenho certeza que Deus já o tem lá em cima, junto aos anjos e a um céu tão azul que o faz o mais feliz dos querubins. Desses que assistem e enviam axé, força e fé a todos nós que sentimos demais e com complexa atenção os dias, na ponta dos dedos. Viva Caio, que deixa cada dia nosso mais doce.



Por Camila Paier
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